NÃO-EU DE MIM

Gritei, gritei bem alto, pra poder me escutar!
Tantas vozes alheias, ali, num repleto misturar...
Que voz seria eu? Teria eu uma voz? Como encontrar?
Vasculhando, varrendo, revirando, caixinha de surpresas.
Viro a mesa! Arrependimento, só lamento, nada mais!
Aqui jaz o que outrora pensei ser. Errei eu em não ver?
Que nada! Nada via, só sombra, o resto: réu agonia.
Agonia do não-saber, e querer.

(Pintura de Ivan Malek)

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