SINA DE CAIM

O corpo comporta a história
Em cada palmo e inervação.
Já fui e sou puramente corpo,
Pele, osso, carne e coração.

Minha história não comporta,
Entretanto, o corpo que quer.
De que sou, sim, par’além,
Resta a mim correr à fé.

Como em versos não caibo,
Meu desejo não cabe em mim.
Angústia sorve o sono.
Triste sina de Caim.

Mas se morrer,
E não for nada,
Fui enquanto cai,
Cai ao começo.

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