EM CADA POEMA

Cada poema feito pelo poeta
é uma fatia de morte
fininha tal a folha de um livro
só que mais cortante
e
nos poemas sinceros
filhos de um movimento ulterior
de profusão
é dilacerante
o passar dos versos
de dentro da carne
que se troce para traduzir
em letras [o que as desconhece]
em palavras [o que é inenarrável]
em sentido [o que é essencialmente incompreensível]

Em seguida
o alívio vem cansado
mas isso, nos poemas sinceros
- em que o esforço arbitrário de sentido
de forma e expurgação
vem visceralmente
conduzido pela paixão
[essa dor de viver plangente]

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