AO FIM


Se o Fim, este evidente inevitável
Sem aviso, sem medida, sem limite
Vem conciso, breve e palatável
De amargor, insaciável de apetite
Paradoxo, não-sentido, não-poema
Corta, parte, alquebra e algema
O homem findo, envolto no dilema
De poetas que não sabem traduzir
O que há antes e após este porvir
O vazio inconcebível do Só-Nada
Na sonata infinita do Universo
Musicada em notas intransigíveis
Que revelam, reles, o aquém dos níveis
Mais iniciais do seu primeiro verso
Do Alguém perdido da Alvorada
Concebido por nós ilusoriamente
Ao fazer o movimento insistente
De cantar a Morte (o Fim) e o Começo!

Comentários

Postagens mais visitadas