PERDOADO (GALOPE À BEIRA-MAR)


Cruzei oceanos nas lágrimas tuas;
Ferir-te me foi um pecado, porém
Ganhei, esforçado, o perdão sem desdém,
Depois de uns tempos de dores tão cruas…
Negando com medo, sorvendo das ruas
O amargo ardoso de angústia, a chorar,
Tragado nos goles de pinga no bar;
Não tive, entretanto, amigos nem nada
De bons, que ajudassem à minha empreitada,
Cantando remorsos na beira do mar.

Mas, saibas, depois de lavada minh'alma,
Chegou a coragem: pedi-te desculpa
Exausto, arrasado, tamanha era a culpa
Que me consumia. Ergui-me com calma
Pulei de alegria em ver que a palma
Da mão se abria, acolhendo-me a amar…
E disse: - Recebo, se a mim respeitar.
Pulei de espanto, com aquela bondade;
Daí em diante, mudei de verdade.
Fiz este poema, na beira do mar.

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